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Can it ever be possible to really map a space, reflect the true nature of the landscape (clearly this implies something more than just physical representation) and convey a real sense of the everyday life of users of that space?
Alison Barnes, Noble, I & Bestley, R. 2005, Visual Research, an Introdution to Reseach Methodologies in Graphic Design.
Com o trabalho mapping – narrativas urbanas pretendemos analisar referenciais de mapeamento urbano que não se circunscreviam à cartografia propriamente dita, e que explorassem determinado tipo de vivência do espaço urbano através de leituras diferentes.
Desta forma surge uma vontade de criar premissas que remetam a uma determinada deambulação, que tenha como finalidade a experiência da cidade.
Em Multiplicidades pretendemos reflectir sobre uma metodologia de mapeamento do quotidiano que se coloca no entendimento e significado do espaço em vez de (apenas) na sua representação física, enfatizando a sua utilização social criando um interface entre o conhecimento e a experiência.
Múltiplas experiências, múltiplas visões, múltiplas interpretações.
A frase ‘A cidade inteira tem a dimensão exacta do caminho que piso e os seus limites ficam na distância que o meu olhar alcança’ surge como ponto de partida e ponto de chegada do nosso trabalho. Assume-se como transversal a todos os momentos do processo. Como metodologia dividimos este processo em três momentos: escolha, recolha, e (re)interpretação.
O primeiro momento, a escolha, foi feito individualmente, onde cada uma de nós definiu um lugar que correspondesse à sua interpretação da frase, definindo os limites, físicos, de uma determinada deambulação ou percurso na cidade.
A recolha dos dados (imagens fotográficas) representa a forma como cada uma direccionou o seu olhar segundo a sua definição de ‘limite’.
Posteriormente esta recolha é interpretada pelos outros dois elementos do grupo, que finalizam o processo na criação de um cartaz A0.
Estas três visões da cidade surgem como uma reflexão sobre a forma como cada um se aproxima e experiencia a cidade.
Entre o espaço físico e o cartaz A0 existem vários níveis de aproximação.
O cartaz deixa de ser uma representação concreta do espaço físico, para passar a ser uma interpretação subjectiva que depende da experiência de quem retira os dados e de quem os interpreta, uma espécie de abstractização do lugar na cidade.
Através dos vários níveis de aproximação, pretendemos reflectir sobre a passagem de uma dimensão pessoal (a recolha que reflecte a deambulação de cada uma) para uma dimensão colectiva (a interpretação dos outros dois elementos do grupo que está na base do cartaz A0).
O conjunto dos três cartazes expostos dá ênfase às três visões da cidade, interligadas não só pela frase, mas também, pela metodologia definida.
Com a exposição incluímos o espectador no processo de (re)interpretação.
CACILHAS
As imagens retratam um percurso de barco de uma margem à outra ( Lisboa – Cacilhas ). O lugar onde nos colocamos perante a cidade condiciona os limites do nosso olhar. Algumas destas imagens, por terem sido recolhidas em Cacilhas, sugeriam uma perspectiva distanciada de Lisboa, narrando um princípio e um fim muito claros. Assume-se como uma visão geral da cidade limitada pelo céu e pelo rio. Utilzámos três sequências de imagens que, em conjunto, moldam toda a margem visível. Cada uma das sequências joga com a dimensão das imagens relacionada com a dimensão da distância, como uma transposição do percurso (de barco) que leva a esse lugar, Cacilhas.
FABRICA DO BATISTA RUSSO
As imagens que escolhemos revelam uma relação de contraste entre o interior e exterior da fábrica.
O exterior define-se por valores lumínicos bastante acentuados em contraste com a escuridão do interior.
O olhar que esteve por detras da recolha foca-se nas aberturas -janelas- evidenciando o exterior da fábrica – a cidade. Os limites desta cidade são nos revelados por um olhar que parte do interior e estão dependentes dele.
O cartaz é constituido por uma sequência de imagens, como se um negativo fotográfico, contínuo, se tratasse. A nossa atenção dirige-se para essa sequencia de imagens, para que haja uma aproximação/exploração deste lugar que foi interpretado e (re)interpretado.
STA MARTA / S.JOSÉ / PORTAS DE STO.ANTÃO
As imagens recolhidas representam um percurso por determinadas ruas de Lisboa. A nossa escolha incide naquelas que se focam num olhar vertical, de baixo para cima, sugerindo a ideia de limite enquanto contorno.
Formalmente, no cartaz, a percepção das ruas, e sua deambulação, é desmaterializada num jogo de formas geométricas, entre o recorte dos edifícios e o azul forte do céu. A desmaterialização é levada ao limite pela própria estrutura do cartaz, tridimensional. As imagens deixam de existir como objectos únicos, para existir como uma imagem total.








